Micélio, bambu e terra: os biomateriais que estão saindo do laboratório
Quando se fala em reduzir o impacto ambiental da construção, a atenção costuma ir para energia solar e eficiência. Mas uma parte enorme das emissões está nos próprios materiais. É aí que entram os biomateriais, produzidos a partir de fontes biológicas e renováveis.
Os principais candidatos
Micélio: a rede de raízes dos fungos pode ser cultivada em moldes e virar painéis isolantes ou blocos leves
Bambu: cresce rápido, tem ótima resistência à tração e já é usado em estruturas no mundo todo
Terra crua e taipa: técnica milenar que voltou em projetos contemporâneos pela massa térmica e baixo carbono
Fibras vegetais em isolantes, como cânhamo, cortiça e madeira
Segundo análise da COR Advisors sobre tendências de arquitetura sustentável em 2026, compósitos de base biológica, como o micélio e o bambu, oferecem alternativas estruturais ou isolantes com uma fração do carbono incorporado do aço ou do concreto.
Exemplos recentes
No Kew Gardens, em Londres, o estúdio Mizzi projetou o Carbon Garden Pavilion, com forma inspirada em cogumelos. No Canadá, um projeto premiado pelo Carbon Leadership Forum usou taipa ao lado de madeira engenheirada e concreto de baixo carbono para reduzir em 34% o carbono incorporado.
E no Brasil?
O país tem tradição em taipa de pilão, adobe e bambu, além de muita pesquisa universitária sobre esses materiais. O desafio é transformar conhecimento em cadeia produtiva, normas técnicas e confiança do mercado. Pequenas aplicações, como paredes internas em terra ou forros de bambu, são um bom começo.
Fontes
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial.




Comentários