Casas frescas sem depender do ar-condicionado: o 'passivo primeiro' ganha força
O calor extremo deixou de ser um problema apenas de regiões desérticas. De cidades do Golfo ao Mediterrâneo e à África subsaariana, ondas de calor mais longas pressionam a rede elétrica e a saúde das pessoas. Nesse cenário, uma ideia simples vem ganhando espaço entre pesquisadores e organismos internacionais: resolver o conforto térmico primeiro no projeto, e só depois nos equipamentos.
O que dizem ONU e universidades
No Fórum Urbano Mundial de 2026 (WUF13), da ONU-Habitat, uma palestra de pesquisadoras da Bond University e da Zayed University defendeu o projeto passivo como a ferramenta mais imediata e barata contra o calor, inclusive em habitação popular. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) também lançou um roteiro para o Sudeste Asiático com a filosofia de passivo primeiro, lembrando que cerca de 1,2 bilhão de pessoas no mundo não têm acesso adequado a resfriamento.
Um projeto liderado pela Universidade de Michigan reuniu equipes do Brasil, de Burkina Faso e da Colômbia para testar soluções de resfriamento passivo em casas autoconstruídas de comunidades de baixa renda, com foco em conforto e saúde.
As estratégias que funcionam
Orientação: posicionar a casa e as aberturas conforme o sol e os ventos do terreno
Sombreamento: beirais generosos, brises, varandas e vegetação
Ventilação cruzada e efeito chaminé para retirar o ar quente
Massa térmica bem usada, que absorve calor de dia e libera à noite
Coberturas e fachadas claras, que refletem a radiação solar
No Nordeste brasileiro
Para quem vive em cidades quentes e úmidas, como Aracaju, ventilação cruzada, sombra e cobertura bem isolada costumam dar mais resultado do que qualquer aparelho. O ar-condicionado continua útil, mas trabalha menos e gasta menos energia quando a casa já foi pensada para o clima.
Fontes
Imagem de capa: ilustração gerada por inteligência artificial.




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